Pavimento Intertravado
Melhores Práticas• Calçada Adequada - Respeito à cidadania • Pavimento Intertravado Permeável
Tire suas dúvidas 1. É verdade que o pavimento intertravado proporciona melhor conforto térmico? Como?
A comparação que se faz nesse caso é entre os materiais constituintes das superfícies de rolamento dos pavimentos, ou seja, comparação direta entre concreto e asfalto. A superfície clara do concreto contribui para a redução da temperatura ambiente, aumentando o conforto ambiental principalmente nas áreas urbanas, conforme demonstram os estudos desenvolvidos e publicados pelo "Heat Island Group", dos EUA, relacionados às "Cool Communnities". Um exemplo dessa influência benéfica do concreto é relatado no artigo "Concrete roads may help cities reduce the heat", publicado pelo "The Salt Lake Tribune", dos EUA, em que mostra uma redução de até 14°C na temperatura medida na superfície do pavimento de con
Fonte: Revista Prisma n° 07 - junho de 2003 creto em relação àquela medida na do asfáltico, valor esse similar ao valor médio obtido em estudo feito na região de Camaçari-BA.Fonte: Revista Prisma n° 07 - junho de 2003 2. Para a construção de pisos intertravados, a camada de areia deve ou não ser compactada antes de se colocar as peças de concreto?
Não. A camada de areia deve estar solta e com espessura constante em qualquer ponto em que se faça a medição. A espessura dessa camada é definida em projeto; deve-se portanto "caprichar" no acabamento da superfície da base e apenas rasar a areia na espessura especificada. A compactação prévia, além de comprometer o intertravamento das peças de concreto (e com isso o desempenho do pavimento), representa um desperdício de tempo e recursos.
Fonte: Revista Prisma n° 07 - junho de 2003 3. Pavimentos Intertravados - O que são?
Os pavimentos intertravados são compostos por peças pré-moldadas de concreto e constituem uma brilhante e eficaz solução para uso em ruas, calçadas, calçadões e praças, sendo largamente difundida no Brasil - tanto na construção como na reconstrução e reabilitação desse tipo de instalação urbana.
As dimensões e a qualidade das peças pré-moldadas em concreto são uniformes, uma vez que sua fabricação obedece a controles rigorosos. Além disso, as formas, cores e texturas das peças e os padrões de assentamento são extraordinariamente variados, permitindo explorar harmonicamente essa característica dos pontos de vista arquitetônico e paisagístico. Os pavimentos intertravados de concreto refletem melhor a luz do que outros tipos de superfície e proporcionam ao usuário e ao meio ambiente excepcional conforto térmico, já que o calor produzido pela incidência dos raios solares é rapidamente dispersado no ar - ao contrário de pisos mais escuros, que acumulam calor e o liberam lentamente. A diferença de temperatura entre ambos pode chegar a 30% quando submetidos à mesma insolação. Além disso, mesmo sob chuva, os pavimentos intertravados de concreto não são escorregadios. 4. Pavimentos intertravados - processo construtivo
Os pavimentos intertravados têm a seção transversal típica conforme o desenho acima, abstraídos eventuais abaulamentos ou caimentos e dispositivos de drenagem. No pavimento, as peças pré-moldadas de concreto comportam-se como uma camada flexível e única devido à propriedade de intertravamento. É o intertravamento que proporciona resistência a estes pavimentos e os diferencia dos demais. Depois de intertravadas, as peças de um pavimento adquirem a capacidade de resistir a movimentos de deslocamento individual, seja ele vertical, horizontal ou de rotação. Um bom travamento confere às peças de concreto a capacidade de transmitir as cargas superficiais aplicadas em pequenas áreas, ampliando-as a áreas mais extensas nas camadas de base, mantendo as tensões no subleito dentro de limites admissíveis. A propriedade de distribuição das cargas vai melhorando com a utilização do pavimento, que produz progressivamente um estado de travamento total chamado intertravamento ("lock up"). A camada de rolamento vai adquirindo maior rigidez, e as peças pré-moldadas de concreto deixam de constituir uma mera camada de rolamento para transformar-se numa camada estrutural. O preenchimento das juntas com areia promove diminuição das deflexões e aumento da capacidade de suporte do revestimento do pavimento. É necessário que exista uma capacidade adequada de suporte da base para o desenvolvimento do intertravamento. No entanto, há indicações de que uma rigidez muito elevada da base possa inibir a ocorrência do fenômeno. Há algumas evidências de que o intertravamento possa ocorrer mais rapidamente em pavimentos cujas juntas entre as peças de concreto são mais estreitas (há, no entanto, limites a serem observados quanto a esta largura das juntas). Normalmente especifica-se que a largura das juntas entre as peças de concreto esteja compreendida no intervalo de 3 mm ± 1 mm. Os valores típicos adotados são 2,5 mm - 3 mm. 5. Pavimentos intertravados - Projeto
O projeto adequado de pavimento intertravado com blocos de concreto reduz ao mínimo os problemas de execução e uso. Embora seja conhecido como drenante, os princípios da pavimentação referentes à estabilidade de camadas são fundamentais para o adequado desempenho do pavimento. Portanto, não se deve relegar os cuidados no projeto de drenagem. É obrigatório conferir o local para determinar direções da água, pontos de drenagem e avaliar as condições de cheias. Esse cuidado evita o acúmulo da água, que poderia promover a erosão do subleito e sub-base
A estabilidade de um pavimento intertravado é alcançada de vários modos. Desde a simples compactação do subleito, passando pela adoção de uma camada de sub-base de material selecionado (reforço), até a concepção de uma base de material cimentado. Portanto, a verificação da qualidade dessas camadas quando da construção do pavimento é a forma de prever o comportamento e garantir o alcance das características previstas em projeto. Ensaios de resistência dos materiais e de comprovação de aplicação adequada, como, por exemplo, o grau de compactação, são essenciais. Uma vez verificada deficiência na fundação do pavimento (incluindo subleito, sub-base e base), pode-se optar por reforçá-lo, quando da disponibilidade de greide, por reconstruir a camada – o que, por sua vez, pode ser equivalente a reconstruir o pavimento – ou por restringir a solicitação. O atendimento às especificações de projeto e às normas de controle tecnológico é condição sine qua non nessa fase, já que essas camadas constituem a capacidade estrutural propriamente dita. Assuntos relacionados: Fonte de consulta: Revista Prisma nº 1 – artigo de Dalter Pacheco Godinho, engenheiro, consultor técnico e diretor da Base Engenharia. 6. Pavimentos intertravados - tipos e aplicações
A propriedade de distribuição de esforços das peças intertravadas depende essencialmente de seu formato, arranjo e espessura. A resistência à compressão das peças tem, neste aspecto, pouca influência. Não há um consenso entre os pesquisadores quanto à influência do formato das peças. No entanto há concordância quanto ao comportamento do pavimento em função da espessura e do arranjo de assentamento das peças. Tanto a aparência estética como o desempenho dos pavimentos intertravados são afetados significativamente pelo arranjo de assentamento adotado. Há consenso entre pesquisadores quanto à hierarquia dos melhores arranjos. Em condições de tráfego intenso, o arranjo "espinha-de-peixe" é considerado o mais adequado devido à sua boa resposta frente ao fenômeno de "escorregamento" analisado em relação ao travamento horizontal. O formato das peças de concreto também influi no desempenho do pavimento. Alguns formatos típicos são mostrados abaixo. O processo de seleção de um formato para as peças pode ser problemático e controverso. A seleção do tipo ótimo de peça deve ser guiada pelas seguintes considerações: Espessura - Recomenda-se que as peças tenham espessuras mínimas de 6 cm, para pavimentos com tráfego leve, 8 cm para aqueles submetidos ao tráfego de veículos comerciais e 10 cm para casos especiais. Resistência Mecânica - Estudos mostram que a resistência à compressão uniaxial das peças, dentro de uma faixa de 35 a 55MPa não tem influência no comportamento estrutural dos pavimentos sob carga de veículos comerciais de linha. Outros fatores, referentes à durabilidade são os que influem na fixação de resistências mínimas. No Brasil, a norma NBR 9781 (Peças de Concreto para Pavimentação - Especificação) estipula que a resistência característica estimada à compressão das peças, calculada de acordo com a NBR 9780 (Peças de Concreto para Pavimentação – Determinação da Resistência à Compressão – Método de ensaio), deve ser 35 MPa para as solicitações de veículos comerciais de linha ou 50 MPa quando houver tráfego de veículos especiais ou solicitações capazes de produzir acentuados efeitos de abrasão. Ao considerar que tanto Austrália como África do Sul são alguns dos países com maior experiência neste tipo de pavimento e que têm afinidade climática com o Brasil, é lógico acolher, neste aspecto, recomendações semelhantes às destes países. As resistências características à compressão exigidas na Austrália são de 35 MPa para tráfego leve e 45 MPa para os demais. Na África do Sul, estes valores são, respectivamente, iguais a 25 MPa e 35 MPa. Camada de areia - A camada de areia serve de base para o assentamento das peças pré-moldadas de concreto. Ela deve proporcionar uma superfície regular onde se possa assentar as peças e acomodar suas tolerâncias dimensionais de fabricação e aquelas relativas à regularidade da superfície de rolamento do pavimento. A camada de areia funciona também como uma barreira à propagação de eventuais fissuras da base e como fonte de areia para preencher as partes mais baixas das juntas. Ensaios e análises feitos no Japão mostram que o aumento da espessura da camada de areia de assentamento não contribui para o efeito de dispersão das cargas atuantes. Uma espessura excessiva torna-se uma fonte potencial de deficiências e assentamentos. Recomenda-se que a camada de areia tenha de 3 cm a 4 cm de espessura após a compactação das peças. Fonte de consulta: Revista Prisma nº 1 – "Pavimento intertravado: uma solução universal" 7. Pode-se usar pó-de-pedra em vez de areia para a camada de assentamento dos blocos de pisos intertravados?
Embora usado com sucesso em algumas obras, o pó-de-pedra não é o material adequado e tampouco indicado para a camada de assentamentos, pois podem surgir problemas de drenagem ou afundamentos e ondulações no pavimento. Deve-se adotar sempre a areia média e limpa para a camada de assentamento das peças de concreto.
Fonte: Revista Prisma n° 07 - junho de 2003
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