As vendas de cimento no mercado brasileiro deverão crescer até 7,5% neste ano, para aproximadamente 55 milhões de toneladas, um recorde para o setor, de acordo com estimativa do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). A expansão da economia brasileira, o bom desempenho do mercado imobiliário e obras de infraestrutura devem estimular o consumo do produto no país ao longo deste ano. "Nossas estimativas têm de ser revistas sempre, mas até agora estão dentro do esperado", afirma o vice-presidente executivo da entidade, José Otávio Carvalho.
Em fevereiro, segundo dados preliminares do SNIC divulgados ontem, as vendas de cimento no país totalizaram 4,1 milhões de toneladas, alta de 16,4% ante o verificado no mesmo mês de 2009. De acordo com Carvalho, o crescimento expressivo no mês passado deveu-se principalmente à fraca base de comparação em 2009. "O primeiro trimestre do ano passado foi o período mais fraco do ano; então, já esperávamos crescimento mais forte no mesmo intervalo de 2010", afirma.
No acumulado do bimestre, foram comercializadas 8,4 milhões de toneladas de cimento no mercado nacional, com crescimento de 12,6% frente a igual período de 2009. O volume despachado por dia útil ficou em 207,3 mil toneladas, ante 191 mil toneladas em janeiro. Sazonalmente, os dois primeiros meses do ano são os mais fracos para a indústria cimenteira, em razão do período de férias escolares e das chuvas - no segundo semestre, historicamente, as vendas são mais fortes.
O levantamento do SNIC aponta ainda que a região Norte ganhou relevância em termos de origem do produto vendido no primeiro bimestre, em razão da instalação, no ano passado, de duas fábricas da Votorantim nos Estados de Rondônia e Tocantins. Entre janeiro e fevereiro, 394 mil toneladas de cimento tiveram origem na região, uma alta de 42,3% ante o verificado no primeiro bimestre de 2009. "O que houve foi transferência de origem do produto. Antes, parte do cimento produzido no Centro-Oeste abastecia esse mercado", explica Carvalho. O Sudeste manteve-se como principal origem do consumo no país, com 4,171 milhões de toneladas e crescimento de 11,5%.