Lucro cresce 3,5 vezes no ano e atinge R$ 84,12 milhões, com expansão de 60% dos empréstimos
O banco mineiro Bonsucesso encerrou o ano de 2009 com lucro líquido de R$ 84,12 milhões, 3,5 vezes maior que o ano anterior (R$ 23,87 milhões) e o melhor resultado de sua história. O bom desempenho, que acompanha a retomada da economia no segundo semestre, trouxe otimismo ao banco, que retomou a contratação de pessoal e prepara a estrutura para a nova operação de crédito imobiliário.
“Esperamos começar a nova área já neste ano”, disse Paulo Henrique Pentagna Guimarães, presidente da instituição. Essa é uma das apostas do banco para atingir um crescimento da carteira de crédito total da ordem de 50%. “Há bastante demanda, principalmente depois do Minha Casa Minha Vida (programa do governo federal para construção de moradias de baixa renda)”, afirma o executivo.
Os empréstimos para a compra da casa própria devem seguir o modelo de consignação, principal produto do Bonsucesso. Dessa forma, as parcelas serão descontadas diretamente em folha de pagamento.
Como o banco não tem captação de poupança, os recursos para esses empréstimos devem vir da cessão da carteira para títulos de crédito, como os certificados de recebíveis imobiliários (CRI). O banco funcionará como um originador de contratos e receberá uma remuneração.
Atualmente, o banco negocia a venda desses papéis para alguns fundos, diz Pentagna Guimarães. Mas parcerias com bancos não estão descartadas. “Não estamos fechados a oportunidades de parcerias, mas no momento não há nenhuma negociação.”
Já para atender os clientes, o Bonsucesso pretende usar uma combinação de lojas próprias (o banco tem 30 postos de atendimento) e correspondentes bancários, para atingir maior capilaridade. Há também uma aposta na agilidade de uma instituição de menor porte. “Queremos fechar um empréstimo em 7 dias úteis”.
Não é apenas no segmento habitacional que o Bonsucesso prepara ofensiva. O banco pretende acelerar o crescimento do crédito para empresas de médio porte, o cobiçado segmento conhecido como “middle market”, e um dos focos é a região da Grande São Paulo.
O volume de novas operações nesse nicho somou R$ 501 milhões, em 2009, encerrando o ano com uma carteira de R$ 241 milhões, praticamente estável. O plano agora é atingir R$ 800 milhões até o fim do ano. “Quase não crescemos nesse mercado no ano passado por conta da crise. Tivemos de renegociar quase todos os contratos, dando mais prazo. Mas a economia real, sem dúvida, já retomou”, afirma.
No consignado, principal negócio do banco, as novas concessões somaram R$ 1,55 bilhão no ano passado, chegando a dezembro com um estoque de R$ 2,1 bilhões, expansão de 60%.