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6.Pavimentos intertravados - tipos e aplicações
A propriedade de distribuição de esforços das peças intertravadas depende essencialmente de seu formato, arranjo e espessura. A resistência à compressão das peças tem, neste aspecto, pouca influência. Não há um consenso entre os pesquisadores quanto à influência do formato das peças. No entanto há concordância quanto ao comportamento do pavimento em função da espessura e do arranjo de assentamento das peças.
Tanto a aparência estética como o desempenho dos pavimentos intertravados são afetados significativamente pelo arranjo de assentamento adotado. Há consenso entre pesquisadores quanto à hierarquia dos melhores arranjos. Em condições de tráfego intenso, o arranjo "espinha-de-peixe" é considerado o mais adequado devido à sua boa resposta frente ao fenômeno de "escorregamento" analisado em relação ao travamento horizontal.
Arranjo

O formato das peças de concreto também influi no desempenho do pavimento. Alguns formatos típicos são mostrados abaixo. O processo de seleção de um formato para as peças pode ser problemático e controverso. A seleção do tipo ótimo de peça deve ser guiada pelas seguintes considerações:
• melhor capacidade de distribuição de tensões
• facilidade de assentamento
Formatos típicos de peças pré-moldadas de concreto
Peças de concreto segmentadas ou retangulares, com relação comprimento/largura igual a dois (usualmente 200 mm de comprimento por 100 mm de largura), que entrelaçam entre si nos quatro lados, capazes de serem assentadas em fileiras ou em "espinha-de-peixe". Podem ser carregadas facilmente com apenas uma mão.
Peças com tamanhos e proporções similares aos da categoria anterior, mas que entrelaçam entre si somente em dois lados, e que só podem ser assentadas em fileiras. Podem ser carregadas com apenas uma mão e genericamente têm o formato em "I".
Peças de concreto com tamanhos maiores do que as duas categorias anteriores. Pelo seu peso e tamanho não podem ser carregadas com apenas uma mão. Têm formatos geométricos característicos (trapézios, hexágonos, triedros etc.). São assentadas seguindo-se sempre um mesmo padrão, que nem sempre conforma fileiras facilmente identificáveis.

Espessura - Recomenda-se que as peças tenham espessuras mínimas de 6 cm, para pavimentos com tráfego leve, 8 cm para aqueles submetidos ao tráfego de veículos comerciais e 10 cm para casos especiais.

Resistência Mecânica - Estudos mostram que a resistência à compressão uniaxial das peças, dentro de uma faixa de 35 a 55MPa não tem influência no comportamento estrutural dos pavimentos sob carga de veículos comerciais de linha. Outros fatores, referentes à durabilidade são os que influem na fixação de resistências mínimas.

No Brasil, a norma NBR 9781 (Peças de Concreto para Pavimentação - Especificação) estipula que a resistência característica estimada à compressão das peças, calculada de acordo com a NBR 9780 (Peças de Concreto para Pavimentação – Determinação da Resistência à Compressão – Método de ensaio), deve ser 35 MPa para as solicitações de veículos comerciais de linha ou 50 MPa quando houver tráfego de veículos especiais ou solicitações capazes de produzir acentuados efeitos de abrasão.
Ao considerar que tanto Austrália como África do Sul são alguns dos países com maior experiência neste tipo de pavimento e que têm afinidade climática com o Brasil, é lógico acolher, neste aspecto, recomendações semelhantes às destes países. As resistências características à compressão exigidas na Austrália são de 35 MPa para tráfego leve e 45 MPa para os demais. Na África do Sul, estes valores são, respectivamente, iguais a 25 MPa e 35 MPa.

Camada de areia - A camada de areia serve de base para o assentamento das peças pré-moldadas de concreto. Ela deve proporcionar uma superfície regular onde se possa assentar as peças e acomodar suas tolerâncias dimensionais de fabricação e aquelas relativas à regularidade da superfície de rolamento do pavimento. A camada de areia funciona também como uma barreira à propagação de eventuais fissuras da base e como fonte de areia para preencher as partes mais baixas das juntas.

Ensaios e análises feitos no Japão mostram que o aumento da espessura da camada de areia de assentamento não contribui para o efeito de dispersão das cargas atuantes. Uma espessura excessiva torna-se uma fonte potencial de deficiências e assentamentos. Recomenda-se que a camada de areia tenha de 3 cm a 4 cm de espessura após a compactação das peças.

Fonte de consulta: Revista Prisma nº 1 – "Pavimento intertravado: uma solução universal"

 

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